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Ambiente × agronegócio

Quando proteção ambiental e expansão do agronegócio entram em conflito, a proteção ambiental deve ter prioridade.

Entenda o tema

O agronegócio responde por cerca de um quarto do PIB e por grande parte das exportações, e o país assumiu a meta de zerar o desmatamento ilegal até 2030. Em 2025 o Congresso aprovou uma nova lei geral de licenciamento ambiental, que simplifica e acelera processos, com vetos parciais do governo. O debate opõe fiscalização, conservação e compromissos climáticos à produção, à segurança jurídica e à rapidez para obras e empreendimentos.

Concordar significa

Prioriza proteção ambiental e fiscalização, mesmo limitando o agro.

Discordar significa

Prioriza a produção agropecuária e a flexibilização do licenciamento.

O que cada candidato defende

Encontramos posição documentada de 11 dos 12 candidatos com candidatura deferida. Cada uma traz o resumo, a confiança da evidência e a fonte que a sustenta.

  1. Foto de Hertz Dias
    Hertz DiasPSTU16Concorda totalmenteConfiança alta

    O programa trata o grande agronegócio como modelo 'predatório', propõe cortar seus créditos e subsídios, recuperar áreas desmatadas, expropriar as grandes empresas do setor e afirma a 'incompatibilidade' entre expansão do agro e preservação da Amazônia. Critica o 'PL da Devastação'. Prioridade ambiental inequívoca.

  2. Foto de Edmilson Costa
    Edmilson CostaPCB21Concorda totalmenteConfiança alta

    O programa vai além de priorizar o ambiente: chama o agronegócio de 'principal destruidor do meio ambiente' e propõe sua expropriação, combate rigoroso ao desmatamento, revisão do Código Florestal para ampliar áreas protegidas e reforço dos órgãos de fiscalização.

    • programa Programa de governo, p. 9

      Expropriação do agronegócio, não apenas para garantir comida na mesa do povo trabalhador brasileiro, mas também como necessidade humanitária, uma vez que o agronegócio é o principal destruidor do meio ambiente e um dos grandes financiadores do crime organizado e da violência no campo.

    • programa Programa de governo, p. 11

      Combate rigoroso ao desmatamento em todos os ecossistemas, à mineração ilegal, com uma profunda revisão nos processos de produção mineral em curso.

    • programa Programa de governo, p. 8

      Serão reativados e reforçados os órgãos de fiscalização e controle ambiental.

  3. Foto de Samara Martins
    Samara MartinsUP80Concorda totalmenteConfiança alta

    O programa coloca a preservação ambiental e a função social da terra acima da exportação agrícola, propõe desapropriar grandes terras do agronegócio, banir agrotóxicos proibidos no exterior, combater desmatamento e garimpo e manter 'a floresta em pé'.

    • programa Programa de governo, p. 44

      Exportar pode integrar o desenvolvimento, mas não pode se sobrepor ao direito à alimentação, à preservação ambiental e à função social da terra.

    • programa Programa de governo, p. 44

      Intervenção e desapropriação das grandes terras controladas por empresas do agronegócio para que sirvam aos interesses do povo.

    • programa Programa de governo, p. 63

      Combater desmatamento ilegal, garimpo, grilagem, contaminação por mercúrio e crimes ambientais de grandes empresas;

  4. Foto de Lula
    LulaPT13Tende a concordarConfiança média

    O programa reafirma a meta de desmatamento líquido zero até 2030, a efetividade do Código Florestal e o fortalecimento da fiscalização, mas ao mesmo tempo promete mais crédito e mercados para o agronegócio e defende petróleo na Amazônia. Como presidente, Lula vetou 63 trechos da nova lei de licenciamento ambiental (2025), mas sancionou o restante. A tendência é pró-ambiente, porém com busca de conciliação, não de prioridade absoluta.

  5. Foto de Wilson Grassi
    Wilson GrassiDEMOCRATA35Neutro ou ambíguoConfiança média

    O programa rejeita a oposição entre ambiente e agro: diz que bem-estar animal e agronegócio 'não são campos opostos' e que o controle ambiental é exigência de mercado, não ideologia. Propõe combater o desmatamento ilegal com rastreabilidade, mas também licenciamento com prazo definido e abertura de debate sobre mineração em terra indígena, o que configura posição intermediária.

  6. Foto de Flávio Bolsonaro
    Flávio BolsonaroPL22Tende a discordarConfiança média

    O programa mantém a meta de zerar o desmatamento ilegal até 2029 e fala em fiscalização, mas prioriza a produção: licenciamento ambiental com prazos e licença tácita, 'sem criar novas obrigações ou custos' para o produtor, fim da 'política que criminaliza o morador da floresta', fusão de Ibama/Funai/ICMBio e controle sobre ONGs. Em caso de conflito, a ênfase é destravar a produção.

    • programa Programa de governo, p. 49

      Parte essencial de mudar essa lógica é um licenciamento ambiental ágil, moderno e com segurança jurídica: grandes obras, usinas, minas e projetos industriais vivem parados anos à espera de uma licença, e cada mês de atraso é investimento que foge e emprego que não vem.

    • programa Programa de governo, p. 58

      sem criar novas obrigações ou custos desnecessários para o produtor rural que atua dentro da lei. Quem produz respeitando a legislação deve ser tratado como parceiro na proteção ambiental, e não submetido à presunção de irregularidade.

    • programa Programa de governo, p. 58

      Teremos a meta de zerar o desmatamento ilegal até 2029, retomando e levando até o fim o compromisso que já assumimos no Governo Bolsonaro perante o mundo

  7. Foto de Rui Costa Pimenta
    Rui Costa PimentaPCO29Tende a discordarConfiança baixa

    Posição atípica: o candidato é hostil ao agronegócio (propõe expropriar o latifúndio), mas trata restrições ambientais como bloqueio imperialista ao desenvolvimento e defende explorar as riquezas da Amazônia 'em benefício do povo'. Tende a não dar prioridade à proteção ambiental, embora não por defender o agro; confiança baixa pela ambiguidade.

  8. Foto de Ronaldo Caiado
    Ronaldo CaiadoPSD55Tende a discordarConfiança média

    O programa promete rigor contra desmatamento ilegal, grilagem e garimpo, mas sua ênfase é dar 'previsibilidade ao empreendedor regular': licenciamento com prazos e procedimentos simplificados, 'estabilidade ao Código Florestal' e crítica ao modelo de 'comando e controle'. Quando há conflito, a prioridade tende a ser a produção e a segurança jurídica do produtor, não restrições adicionais.

    • programa Programa de governo, p. 50

      O modelo de comando e controle é necessário contra ilegalidades, mas tornou-se pouco eficiente quando não distingue risco, porte e comportamento. Empreendedores regulares enfrentam incerteza, enquanto infratores organizados exploram lacunas de fiscalização.

    • programa Programa de governo, p. 24

      dar estabilidade ao Código Florestal, avançar na regularização fundiária, simplificar o licenciamento de atividades de baixo impacto e criar soluções institucionais para os conflitos territoriais, com mediação, convivência produtiva e indenização justa quando devida.

    • programa Programa de governo, p. 47

      Dar ao licenciamento prazos definidos, procedimentos simplificados para projetos padronizados e de baixo impacto, e coordenação unificada para os projetos estruturantes. O objetivo não é rebaixar a exigência ambiental: é trocar demora e incerteza por regra clara e rigor técnico.

  9. Foto de Augusto Cury
    Augusto CuryAVANTE70Tende a discordarConfiança média

    A meta central é dobrar a produção agropecuária em dez anos, com prazos máximos legais e 'licenciamento acelerado' como condição. O programa afirma que produção e preservação não são incompatíveis e promete manter fiscalização e responsabilização por danos, mas o eixo é destravar a produção. Tende a priorizar o agro, com salvaguardas.

    • programa Programa de governo, p. 47

      Nada disso será possível sem previsibilidade regulatória. Estabeleceremos prazos máximos legais para o licenciamento ambiental, sanitário e de outorga de água, com procedimento digital integrado entre União, Estados e Municípios e classificação por nível de risco

    • programa Programa de governo, p. 48

      Agilidade não significa ausência de critério: os parâmetros técnicos permanecerão rigorosos, a fiscalização será fortalecida e a responsabilização por danos ambientais será integral.

    • programa Programa de governo, p. 52

      O crescimento econômico e a preservação ambiental não são objetivos incompatíveis. Nosso compromisso será produzir mais, gerar mais empregos, ampliar as exportações e preservar nossos recursos naturais por meio da ciência, da tecnologia e da gestão responsável dos ecossistemas.

  10. Foto de Renan Santos
    Renan SantosMISSÃO14Discorda totalmenteConfiança alta

    O programa prioriza produção: implementação plena da nova Lei Geral do Licenciamento com uso "ostensivo" da Licença Ambiental Especial, simplificação do licenciamento para mineração, fim das "invasões" rurais, mineração em terras indígenas e auditoria de livros didáticos que retratem o agro como "antagonista da sustentabilidade". Trata o agronegócio como vítima de uma narrativa que o vê como "vilão".

  11. Foto de Romeu Zema
    Romeu ZemaNOVO30Discorda totalmenteConfiança média

    O programa promete combater desmatamento ilegal e grilagem, mas em todo conflito concreto fica do lado da produção: simplificar o licenciamento, aplicar a nova Lei Geral do Licenciamento, não criar novas restrições ambientais 'sem base técnica ou compensação econômica' e combater o 'ativismo judicial' contra quem produz. O lema é 'conservar a natureza sem travar o desenvolvimento'.

    • programa Programa de governo, p. 45

      Garantir o cumprimento do Código Florestal, sem impor novas restrições sem base técnica ou compensação econômica, assegurando previsibilidade e segurança jurídica para viabilizar investimentos no campo.

    • programa Programa de governo, p. 44

      Garantir a implementação efetiva da Nova Lei do Licenciamento Ambiental, com prazos definidos e critérios técnicos objetivos, distinguindo os diferentes graus de impacto e simplificando o licenciamento de atividades de baixo risco, para atrair investimentos sem abrir mão da conservação ambiental.

    • programa Programa de governo, p. 47

      Garantir critérios técnicos, previsibilidade e segurança jurídica no licenciamento ambiental, assegurando o cumprimento do Código Florestal e a análise do CAR, sem penalizar quem produz e investe dentro da lei.

  12. Foto de Clariana Barão
    Clariana BarãoDC27Sem posição conhecida

    O programa não possui capítulo ou proposta sobre meio ambiente, desmatamento, licenciamento ou agronegócio, e não foi localizada nenhuma declaração da candidata sobre o conflito entre proteção ambiental e produção agropecuária.

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