Temas · Instituições e mundo
BRICS × Estados Unidos
O Brasil deveria se aproximar mais dos Estados Unidos e se afastar do BRICS, grupo que inclui China e Rússia.
Entenda o tema
O Brasil integra o BRICS, grupo com China, Rússia, Índia e outros países, e é historicamente parceiro comercial e político dos Estados Unidos, seu segundo maior mercado; a China é o primeiro. Em 2025 os Estados Unidos impuseram tarifas de 50% a parte das exportações brasileiras, gerando atrito diplomático. O debate opõe uma aproximação com os Estados Unidos e o Ocidente a uma política externa multilateral, com participação no BRICS e maior autonomia.
Concordar significa
Favorável a alinhar-se aos EUA e reduzir a participação no BRICS.
Discordar significa
Favorável a manter o BRICS e uma política externa multilateral e independente.
O que cada candidato defende
Encontramos posição documentada de 11 dos 12 candidatos com candidatura deferida. Cada uma traz o resumo, a confiança da evidência e a fonte que a sustenta.

O programa propõe literalmente 'Sair do BRICS', alinhar o Brasil 'às democracias e aos mercados globais', entrar na OCDE e coordenar com os Estados Unidos o combate às facções. Critica a aproximação de 'regimes autoritários' na política externa atual.
- programa Programa de governo, p. 37
“Retirar o Brasil do BRICS de forma diplomática, preservando pragmaticamente as relações comerciais com todos os países do bloco e recusando qualquer direcionamento que comprometa valores constitucionais e democráticos do Brasil.”
- programa Programa de governo, p. 38
“Coordenar com os Estados Unidos, países sul americanos e demais países e atores interessados no combate ao PCC, ao CV e às demais facções terroristas, compartilhando inteligência e atuando de forma conjunta”
- programa Programa de governo, p. 36
“a política externa passou a ser orientada por afinidades ideológicas, aproximando o Brasil de regimes autoritários e afastando-o das democracias que são seus parceiros naturais e seus maiores mercados.”
- programa Programa de governo, p. 37

O programa promete reverter o 'limite do rompimento' nas relações com Estados Unidos, Israel e Argentina, retomar a adesão à OCDE e critica o alinhamento do governo Lula com Irã e Venezuela; o BRICS não é mencionado. Ao mesmo tempo, afirma que negociará 'com todos', 'da China à União Europeia', em nome do pragmatismo, aproximação com os EUA sem proposta explícita de deixar o BRICS.
- programa Programa de governo, p. 62
“Não trataremos como adversários os nossos parceiros mais importantes e tradicionais. Nos últimos anos, as relações com países como Argentina, Estados Unidos e Israel foram levadas ao limite do rompimento. Vamos reverter esse quadro com profissionalismo e foco no interesse do Brasil.”
- programa Programa de governo, p. 62
“Negociaremos com todos os que interessam ao Brasil, da China à União Europeia, dos Estados Unidos aos mercados asiáticos, porque o que orienta a nossa diplomacia é o interesse do produtor e do trabalhador brasileiro”
- reportagem Eleição 2026: Sair do Brics, alinhamento com EUA ou ator global? · 2026-08-18
- programa Programa de governo, p. 62

O programa recusa deliberadamente uma doutrina de política externa e adota o critério 'o que o Brasil ganha' em cada negociação, sem 'simpatia por um bloco' nem 'alinhamento automático', definindo a posição em foros multilaterais caso a caso. É uma posição explicitamente neutra entre aproximar-se dos EUA e priorizar o BRICS.
- programa Programa de governo, p. 52
“Posição brasileira em foro multilateral definida caso a caso, por conveniência nacional declarada, e não por alinhamento automático.”
- programa Programa de governo, p. 51
“Este plano não traz doutrina de política externa, e a omissão é deliberada.”
- programa Programa de governo, p. 52
“a simpatia por um bloco, não a fidelidade a um alinhamento herdado, não o desconforto de contrariar quem está do outro lado da mesa.”
- programa Programa de governo, p. 52

O programa prega "pragmatismo": rejeita o "alinhamento ideológico automático com os EUA", propõe permanecer no BRICS+ extraindo benefícios sem se subordinar à China, e ao mesmo tempo prioriza EUA e UE em terras raras. Em set/2026 Renan disse que a China é hoje "um parceiro melhor do que os Estados Unidos" e criticou o tratamento "humilhante" dos EUA. Tende a discordar de aproximar-se dos EUA e afastar-se do BRICS.
- programa Programa de governo, p. 46
“Adoção do pragmatismo como princípio de política externa rejeita tanto o alinhamento ideológico automático com os EUA quanto o ideologismo de esquerda”
- programa Programa de governo, p. 46
“Estratégia pragmática no BRICS+ reconhece a dominação crescente chinesa dentro do bloco e propõe que o Brasil extraia benefícios concretos, por meio dos mercados, investimentos e cooperação tecnológica, enquanto evita ser subordinado aos objetivos geopolíticos de Pequim”
- candidato Renan Santos diz que China é um parceiro melhor para o Brasil do que os EUA · 2026-09-03
“Hoje em dia, a China, no curto prazo, é um parceiro melhor do que os Estados Unidos, é mais fácil lidar com o chinês do que com o norte-americano”
- programa Programa de governo, p. 46

O programa e o candidato rejeitam frontalmente a aproximação com os EUA: falam em 'ruptura com o imperialismo', criticam o tarifaço e o candidato diz que o Exército 'precisa deixar de ser uma filial do Pentágono'. Mas o programa também afirma que 'tampouco a China é uma alternativa' e não defende o BRICS. Discorda do alinhamento aos EUA, sem abraçar o BRICS: linha independente e anti-imperialista.
- programa Programa de governo, p. 5
“Não é possível falar em um país soberano sem problematizar uma ruptura com o imperialismo, isto é, com os países dominantes na atual divisão internacional do trabalho.”
- programa Programa de governo, p. 5
“Tampouco a China é uma alternativa.”
- candidato Conversa com Hertz Dias, candidato à presidência pelo PSTU · 2026-08-28
“Os Estados Unidos querem que a América Latina volte a ser, ou se mantenha, como o seu quintal, o que explica a invasão à Venezuela, o bloqueio a Cuba e as ameaças ao Brasil”
- programa Programa de governo, p. 5

O programa rejeita 'alinhamentos automáticos' e 'falsas escolhas entre polos geopolíticos rivais', prevê participar ativamente do BRICS e aproximar-se da OCDE; Caiado descartou sair do bloco ('Não tem por que sair'). Ao mesmo tempo, quer reconstruir a relação com os EUA sem retaliar o tarifaço e fechou acordos de minerais críticos com Washington, o que aproxima, mas não rompe com o BRICS.
- programa Programa de governo, p. 73
“Fortalecer simultaneamente as relações com os Estados Unidos, a União Europeia, a América Latina, a África, a Ásia e o Oriente Médio, sem hierarquias ou preferências determinadas por afinidades ideológicas. Não adotaremos alinhamentos automáticos nem aceitaremos falsas escolhas entre polos geopolíticos rivais.”
- candidato 'Não vejo como ele pode permanecer no Supremo', diz Caiado sobre Moraes · 2026-09-03
“Não tem por que sair. Mas não quero ficar em último lugar.”
- candidato Com crítica a Lula, Caiado descarta retaliação aos EUA sobre tarifas impostas por Trump · 2026-08-07
“Retalhar os americanos? E acabar com os restos das exportações que nós temos e perder todos os investimentos dos americanos? Alguém de cabeça sã falaria uma asneira dessas?”
- programa Programa de governo, p. 73

O programa defende multilateralismo, cooperação Sul-Sul e relação 'de igual para igual' tanto com EUA quanto com China. Cury repete que quer pacificar a relação com Trump, mas 'jamais ser subserviente', e diz que dialogará com líderes do BRICS. Não propõe alinhamento aos EUA nem afastamento do BRICS; tende a discordar.
- programa Programa de governo, p. 60
“Fortaleceremos a cooperação com países em desenvolvimento, promovendo parcerias em tecnologia, energia, educação e infraestrutura, além de defender o multilateralismo como base da ordem internacional.”
- candidato Augusto Cury: 'Sei pacificar, mas relação com EUA não será subserviente' · 2026-08-23
“Vamos pacificar, sem dúvida nenhuma, a relação entre Estados Unidos e Brasil. Eu sempre fui um homem da pacificação. Eu sei como pacificar. Pacificação em primeiro lugar. Subserviência, servidão, jamais”
- candidato Cury à CNN: Trump é impulsivo e Brasil não deve ser subserviente aos EUA · 2026-09-07
“Temos que ter a melhor relação de parceria, mas jamais ser subserviente”
- programa Programa de governo, p. 60

O programa rejeita com força a aproximação com os EUA (a própria candidata chama de 'vergonhoso' disputar quem é 'mais amigo' de Trump), mas também não defende o BRICS: propõe romper tratados de submissão aos Estados Unidos, à OTAN 'ou à China', numa linha anti-imperialista independente. Por isso discorda da afirmação, mas não pelo polo pró-BRICS.
- programa Programa de governo, p. 65
“Rompimento de tratados de submissão militar e econômica aos Estados Unidos, OTAN ou China.”
- programa Programa de governo, p. 5
“É vergonhoso ver outros candidatos à Presidência do Brasil disputarem quem é mais amigo do presidente fascista Donald Trump, quem deles é que vai entregar as terras raras brasileiras aos Estados Unidos”
- programa Programa de governo, p. 7
“Chega de nossas riquezas serem roubadas pelos EUA, pela China ou pela União Europeia.”
- programa Programa de governo, p. 65

O programa promete 'aprofundar a aproximação geopolítica com o BRICS e com o Sul Global', defende uma política externa 'universalista' e multilateral, rejeita 'alinhamentos automáticos' e critica os 'tarifaços' do governo Trump. É o oposto de alinhar-se aos EUA e reduzir a participação no BRICS.
- programa Programa de governo, p. 81
“Aprofundaremos a aproximação geopolítica com o BRICS e com o Sul Global, bem como com o G20, espaços fundamentais para a afirmação dos interesses da maioria da humanidade.”
- programa Programa de governo, p. 83
“Rejeitamos a visão daqueles que aceitam, com servilismo, a renúncia à soberania nacional em nome de alinhamentos automáticos e ideologias fracassadas.”
- programa Programa de governo, p. 12
“Além disso, fomos alvos também de pelo menos três ondas de tarifaços pelo Governo Trump.”
- programa Programa de governo, p. 81

O programa propõe o fim de todos os acordos militares com os EUA, combate ao 'imperialismo' e fortalecimento da integração regional e internacional (ALBA, Unasul). Em entrevista, o candidato defendeu aprofundar as relações com o BRICS como estratégia para reduzir a capacidade dos EUA de 'chantagear' o Brasil.
- programa Programa de governo, p. 15
“Fim de todos os acordos militares com os EUA.”
- candidato Entrevista de Edmilson Costa para Sputnik Brasil · 2026-06-27
“Os BRICS têm um peso econômico maior do que o G7”
- programa Programa de governo, p. 8
“Diante da atual agressividade do imperialismo, o governo do poder popular fortalecerá todos os processos de integração, tanto regionais quanto internacionais, reafirmará a soberania dos povos e prestará ativa solidariedade a Cuba, Palestina, Venezuela, Irã, Saara Ocidental e todos os povos em luta contra o imperialismo.”
- programa Programa de governo, p. 15

O programa é frontalmente contrário à 'ingerência dos EUA' e defende Cuba, Venezuela, Irã e Rússia contra o imperialismo; o candidato chegou a criticar o governo Lula por agir dentro do BRICS como 'moleque de recados de Washington'. Rejeita qualquer aproximação com os EUA em detrimento do BRICS.
- programa Programa de governo, p. 7
“Abaixo a ingerência dos EUA e da OEA; fora o imperialismo da América Latina.”
- programa Programa de governo, p. 7
“Defender os povos que se levantam em todo o mundo contra o imperialismo, de armas nas mãos e pelos meios que sejam necessários, como a Palestina, o Irã e a Rússia”
- candidato Rui Pimenta: nos BRICS, governo agiu como mensageiro dos EUA · 2024-11-03
“O governo brasileiro agiu como moleque de recados de Washington.”
- programa Programa de governo, p. 7

O programa não trata de política externa, BRICS, Estados Unidos ou China; a única menção internacional é à cooperação entre países no combate ao narcotráfico e ao tráfico de armas. Não foi encontrada declaração da candidata sobre alinhamento externo.